Escolher um baralho de tarô é um dos primeiros passos na jornada de qualquer estudante ou praticante. Com uma variedade imensa de estilos disponíveis, é comum surgirem dúvidas: Devo começar com um baralho tradicional ou moderno? Escolher um tarô clássico é essencial para o aprendizado? Como saber qual baralho combina comigo?
Além dessas questões, um dos mitos mais comuns sobre o tarô é a crença de que ele precisa ser presenteado para funcionar. Essa ideia, embora difundida no meio esotérico, não tem fundamento. O mais importante não é como o tarô chega até você, mas sim a sua conexão com o baralho e seu comprometimento com o estudo.
Para facilitar sua escolha, é importante entender as categorias principais dos baralhos: os clássicos, os transculturais e os surrealistas. Cada um deles traz uma abordagem diferente, seja na simbologia, na arte ou na filosofia por trás das cartas.
O Mito de que o Tarô Deve Ser Ganho
Muitas pessoas hesitam em comprar seu próprio baralho porque ouviram dizer que o tarô só funciona se for um presente. Esse mito pode ter se originado da tradição oral dos antigos mestres esotéricos, que transmitiam o conhecimento a seus aprendizes e, junto com os ensinamentos, entregavam um baralho. Assim, ganhar um tarô simbolizava um “chamado” ao caminho espiritual.
Entretanto, nada impede que você compre seu próprio baralho. O que realmente importa é a conexão que você desenvolve com as cartas. Escolher um baralho que ressoe com você pode, inclusive, fortalecer sua relação com o tarô, tornando-o um aliado mais poderoso no seu caminho de autoconhecimento.
Portanto, se você sente que um tarô específico te chama, confie no seu instinto e adquira-o sem medo!
Tarôs Clássicos: O Ponto de Partida Essencial
Os tarôs clássicos são os mais indicados para quem deseja aprender a estrutura tradicional das cartas. Esses baralhos seguem um padrão consagrado e servem de base para grande parte dos estudos e variações posteriores. Os três principais baralhos clássicos são:
Tarô de Marselha
O Tarô de Marselha é um dos mais antigos e influentes do mundo. Suas ilustrações são simples e geométricas, e os Arcanos Menores não possuem cenas ilustradas, apenas a disposição dos símbolos dos naipes. Isso exige que o leitor se baseie na numerologia e nos conceitos tradicionais para interpretar as cartas. É um baralho excelente para quem quer estudar o tarô de forma mais objetiva e simbólica.
Tarô Thoth (Aleister Crowley)
Criado pelo ocultista Aleister Crowley e ilustrado por Lady Frieda Harris, o Tarô Thoth é uma abordagem esotérica densa e rica. Ele incorpora conceitos da cabala, astrologia e alquimia, além de imagens vibrantes e carregadas de significados ocultos. Seu simbolismo é mais complexo que o do Marselha e exige um estudo aprofundado, sendo mais indicado para quem busca um entendimento profundo do tarô.
Tarô Rider-Waite-Smith
Criado por Arthur Edward Waite e ilustrado por Pamela Colman Smith, esse baralho revolucionou o tarô ao introduzir ilustrações detalhadas nos Arcanos Menores, facilitando a leitura intuitiva. É o baralho mais popular do mundo e recomendado para iniciantes, pois suas imagens trazem elementos que ajudam na interpretação sem a necessidade de decorar significados abstratos.
Por que escolher um Tarô Clássico?
Se você deseja aprender o tarô de forma estruturada e aprofundada, os baralhos clássicos são a melhor escolha. Como eles servem de base para quase todos os estudos contemporâneos, começar por um deles permite uma compreensão mais sólida da simbologia e das conexões entre as cartas.
Tarôs Transculturais: A Expansão do Conhecimento
Os tarôs transculturais surgiram com a intenção de conectar o tarô a outras tradições espirituais e mitológicas. Esses baralhos mantêm a estrutura clássica das 78 cartas, mas suas imagens e significados são reinterpretados à luz de diversas culturas e filosofias.
Exemplos de Tarôs Transculturais
Tarô Mitológico: Associa cada Arcano às histórias da mitologia grega, facilitando a interpretação ao vincular os significados das cartas a narrativas conhecidas.
Tarô Egípcio: Mistura o simbolismo do tarô com a mitologia e os hieróglifos do Egito Antigo, conectando as leituras a um conhecimento ancestral.
Tarô dos Orixás: Baseado na espiritualidade africana, esse baralho relaciona os Arcanos aos Orixás e suas influências na vida do consulente.
Por que escolher um Tarô Transcultural?
Se você tem interesse em conectar o tarô a mitologias e sistemas espirituais além da tradição ocidental, um tarô transcultural pode ser a escolha perfeita. Ele permite uma leitura mais fluida e intuitiva, especialmente para quem já tem familiaridade com esses sistemas simbólicos.
Tarôs Surrealistas: A Arte Além da Tradição
Os tarôs surrealistas vão além das convenções clássicas e transculturais, explorando um território subjetivo e artístico. Esses baralhos fogem do padrão tradicional e muitas vezes subvertem a estrutura simbólica das cartas.
Exemplos de Tarôs Surrealistas
Tarô de Salvador Dalí: Criado pelo renomado pintor surrealista, esse baralho é uma verdadeira obra de arte, repleta de referências ao simbolismo clássico e à psique humana.
Tarô Visionário: Um baralho moderno que combina elementos abstratos e psicodélicos, trazendo interpretações abertas e altamente intuitivas.
Tarô dos Sonhos: Baseado na psicanálise e no estudo do inconsciente, esse baralho estimula uma leitura simbólica e introspectiva.
Por que escolher um Tarô Surrealista?
Se você deseja uma abordagem mais livre e intuitiva, os tarôs surrealistas são uma excelente opção. Eles não seguem regras rígidas e podem ser utilizados como ferramentas de autoconhecimento, estimulando a criatividade e o contato com o subconsciente.
Dicas para Escolher o Baralho Perfeito para Você
Confie na sua intuição: Escolha um baralho que te atraia visualmente e desperte curiosidade.
Defina seu objetivo: Se quer aprender o tarô de forma estruturada, escolha um baralho clássico. Se deseja expandir seus conhecimentos, um transcultural pode ser interessante. Para uma abordagem mais intuitiva, experimente um surrealista.
Pesquise antes de comprar: Veja imagens das cartas e entenda a proposta do autor antes de decidir.
A escolha do primeiro tarô deve ser feita com base naquilo que faz mais sentido para você. Não existe um “baralho certo”, e sim aquele que melhor ressoa com a sua jornada.
O importante é lembrar que o poder do tarô não está no baralho, mas na forma como você se conecta com ele.
Escolha seu baralho e comece sua jornada!
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